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Biografias & Profecias eterniza história da Pampili

Pampili1No dia 29 de novembro tivemos mais um motivo de orgulho para o portfólio da Biografias & Profecias. Em noite de festa, alegria e muito brilho, a Pampili lançou o livro que conta a história dos 25 anos dessa marca que mergulha como ninguém no universo das meninas.

Foram meses de entrevistas com os fundadores e colaboradores, visitas à fábrica e escritórios onde todo o mundo cor-de-rosa da Pampili é pensado e realizado. O livro Dos pés ao coração é o resultado de um esforço em conjunto de Silvia Noara Paladino e Regina Magalhães, que escreveram a quatro mãos ao longo deste ano. Para dar beleza ao livro, contamos com a arte de Davi Elia, da ArteMidia, e as ilustrações de Bianca Maretti.

A festa de lançamento, ocorrida na sede da Pampili, na cidade de Birigui, concretizou o desejo de celebrar uma história que agora está eternizada!


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Se te conheço, eu me reconheço

Por Silvia Noara Paladino

No café em que conversamos, próximo à Avenida Paulista, chamo a atenção de minha xará para o quadro logo acima de nossas poltronas. Ele revela uma foto em preto e branco, de uma calçada qualquer, por onde alguém deve transitar rotineiramente a caminho do trabalho, pensando na vida. Junto à imagem, uma frase em inglês. Na tradução: “Todos nós precisamos de um tempo para nós mesmos – apenas alguns minutos por dia, para nos familiarizar novamente com aquele que tem estado lá desde o início”. Ela gosta do que lê, e se lembra do que não deve se esquecer, mesmo nesses dias tão corridos.

O fato é que, mesmo que o tempo consiga fintá-la, Sylvia Beatrix pode olhar para si mesma através de Tiago, o filho de 14 anos. Não dá para saber se há mais dela gravado nele ou mais dele transmitido a ela, mas, quando de frente um para o outro, é como um espelho. Ambos escorpianos, teriam nascido, naturalmente, na mesma data, não fosse a opção da mãe pelo agendamento do parto cesariano e a decisão de não embolar as coisas. Ela nasceu em 15 de novembro; ele, um pouco antes, no dia 9.

Depois de uma temporada recente de dois anos e meio na casa do pai, o novo adolescente voltou a morar com Sylvia, na fase em que ela define como aquela de rejeição à figura da mãe. Por isso, não leva a sério qualquer bobagem que sai pela boca do filho. Após uma frase torta ou resistência que acaba em briga, logo inventam um lanche na cozinha para se reaproximarem. Afinal, ela o compreende mais do que ele mesmo pode entender sobre si próprio. São iguais, até nas diferenças que esculpem a individualidade tão particular de Tiago.

Se Tiago representa a tempestade, Camilla, por sua vez, é a calmaria. É assim desde que foi concebida. A gravidez e o parto da primeira filha foram tranquilos, bem como tudo o que veio depois. À noite, não acordava nem para mamar ou trocar a fralda. Pela manhã, quando entrava no quarto da bebê, lá estava ela, serena e despreocupada. A garotinha já contagiava a mãe com bom humor e paciência. E à Camilla, ela atribui a descoberta de um amor involuntário, sólido e perene.

Na sala de parto, a nova mamãe não teve tempo de perceber o que acabara de acontecer. Quando a enfermeira se aproximou com a bebê no colo, por alguns instantes, Sylvia reparou em apenas duas coisas: a boca no formato de coração, que Camilla tem até hoje, e as mãos, tão iguais às suas, com as unhas quadradas. Ela sabia que, com essas poucas pistas, seria capaz de reconhecer a filha imediatamente. Quando a pequena foi levada ao quarto e Sylvia a segurou nos braços, o mundo já não era mais o mesmo. Ela explica o sentimento que a tomou com um choro impulsivo, que bate com força no peito, e o bloqueio das palavras. E basta.

Não dá para revelar a Sylvia sem falar sobre os seus filhos. Não porque ela tenha a presunção de pertencê-los ou a visão limitada de que a vida se resuma a eles. Não. Ela se satisfaz com o papel de ser apenas o canal para que os filhos viessem ao mundo. Isso é o suficiente para justificar tudo o que faz para eles, pois o faz por si mesma. Os filhos são o seu veículo de evolução. E não tem essa de comercial de Margarina. A família funciona como o chão em que pisa, com todas as imperfeições e tropeços intrínsecos às relações humanas.

Espontânea e autêntica, Sylvia é a mãe que arrasta os filhos para espetáculos, shows, exposições. Custe o que custar, Camilla e Tiago terão cultura. Disso não abre mão. Também não adianta tentar convencê-la sobre a ditadura da beleza. Ela não vai tingir os cabelos. Quer permitir que os fios brancos e o tempo gravem as marcas que bem entenderem. Afinal, para que mudar o que a natureza decidiu? Ela fala com segurança, propriedade, e parece avaliar a todo o tempo se está sendo claro, se usou a palavra correta, se o discurso tem coerência e continuidade. Como um roteiro não planejado previamente, mas que se compõe fácil e bonito de se ouvir.

Como educadora de si mesma, dos filhos e de qualquer pessoa motivada a trocar experiência e conhecimento, ela respeita a palavra. A palavra e o indivíduo. Como voluntária, trabalha no Instituto Fazendo Minha História, que incentiva crianças moradoras de abrigos a contar e registrar o seu passado, para que se lembrem de onde vêm e que são protagonistas dessa história. Porque dividir a dor com alegria, sem julgamento, é humano. E o humano a encanta. Ela narra a vida real, e como narra bem! Aos 50 anos, Sylvia pensa em escrever um livro. A gente só fica aqui, torcendo.

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Encontros e reencontros

Um perfil de Silvia Noara Paladino, uma de nossas escritoras, por Fred Linardi, um de nossos escritores

Silvia deitou-se naquela cama pela primeira vez em sua vida e confirmou a sensação de estar no lugar mais longe de sua casa. Ao invés do desconforto que um quarto desconhecido pode trazer, sentiu-se acolhida. Não o acolhimento por ser recebida na casa de uma amiga, num país distante. Esta sensação estava presente também, mas não foi isso que a tocou ao ser abraçada pela cama, cansada depois de mais de 20 horas que a levaram do Brasil à Tailândia. A chuva que batia pela janela e o vento que fazia dançar as folhas das árvores pareciam entender a jovem jornalista. Era sua primeira noite em Bancoc e a última página de um capítulo que acabou ali, assim que seus olhos se cerraram para o dia seguinte.

Era agosto de 2007 quando Silvia Noara Paladino fazia sua primeira viagem para o lado oriental do mundo. Atraída pela cultura cujas raízes começara a estudar nas aulas de yôga, rumou ao encontro daquilo que esperava, mas também daquilo que pudesse surpreender seus olhos castanhos esverdeados. Pois as viagens, ela sabia, tinham o poder de transformar, de nos fazer encontrar com outros que vivem num mundo diverso, mesmo estando no mesmo planeta. De fazer cada um encontrar-se consigo mesmo, ainda que seja um alguém que nunca se refletiu no espelho todas as manhãs, quando nos levantamos com a cara do sonho que tivemos horas atrás.

A consciência mais sólida que Silvia tinha era de que ela estava lá por decisão própria. Havia se surpreendido ao encontrar sua amiga Ligia Rabay, que morava em Bancoc há dois anos, e visto o quanto ela havia mudado. Pensou em como a própria vida muda de repente, como acontecera com Arlindo Calamari, seu padrasto, que meses antes sofrera um AVC e passou a encarar uma longa e incerta fase de reabilitação.

Pensou no namoro que decidira acabar recentemente, depois de cinco anos de duração, apesar de todo o bem que ele fazia para ela e do quanto ele havia sido importante naqueles meses em que a fragilidade do padrasto fizera sua casa reaprender a viver. Mas Silvia pensou e repensou. A comodidade não era o caminho a ser seguido em assuntos de amor.

Diante de toda a perenidade da vida, comprovou que viajar é o melhor investimento. Mudar de perspectiva é também proporcionar uma série de mudanças interiores. Mais do que isso, é um atestado da liberdade que indica o significado de seu segundo nome, Noara, na língua tupi-guarani. Liberdade para seguir para onde for, como se não existisse patriotismos ou nacionalismos – conceitos tão frágeis quanto o risco de uma fronteira no mapa. Como se o ontem e o hoje se encontrassem além das páginas de um guia turístico.

A filha única, neta única e sobrinha única que foi criada pela mãe e pelos avós despediu-se aos prantos. A viagem que faria por 25 dias fazia sentir uma saudade diferente, de algo que não sabia o quê, mas que precisava ficar para trás. Ao despencar-se na cama de hóspedes de sua amiga, em Bancoc, a chuva que caiu lá fora da janela parece ter varrido essa Silvia recém-chegada.

Nos dias que se seguiram, encontrou nas ruas da Tailândia pessoas amáveis, com uma pureza diferente, um ritmo que o ocidente talvez nunca tenha compreendido o bastante. Alongou sua viagem para a Índia, atraída por algo que chama, sem muito se identificar até o momento em que o viajante bota os pés no chão empoeirado do país de Ganesha, Shiva, Lakshmi. Seja na tranquilidade tailandesa ou no meio do caos indiano, viajar sozinha a fez usar seus sentidos de forma mais aguçada. Entre sustos, surpresas e apuros, voltou ao Brasil já pensando nas próximas.

A sala de redação no último andar de um sofisticado prédio na Avenida Luiz Carlos Berrini, em São Paulo, a relembrava de seus deveres como jornalista. Assim que voltou de férias, foi informada que passaria a ser editora da revista que cobre os maiores avanços da tecnologia. Produzia matérias e organizava os fechamentos quinzenais, muitas vezes deixando sua mesa de trabalho horas depois que a lua já vigiava a cidade que não para.

Também viajou a trabalho. Nova Iorque, Las Vegas, Puerto Vallarta, Buenos Aires, Berlim. Planejou outras viagens de férias, como Grécia e Turquia. Foi na antiga terra do Império Otomano que, em 2011, teve sua segunda grande percepção sobre essas jornadas. Precisamente na Capadócia, onde encontrou casas esculpidas em meio às montanhas, na própria pedra desses acidentes geográficos que o homem soube usar sem destruir. Datadas da época de Cristo, quem olhasse por suas janelas há dois mil anos talvez o tenha visto passar por lá. Desde então, o cenário de cidades como Göreme pouco mudou, ao menos em sua essência que ainda se sobrepõe ao turismo sem conglomerações.

De volta ao trabalho, deparou-se com mais pautas. Ao final do ano passado, Silvia deu mais um passo para seguir em direção ao próprio encontro. Em seis anos de casa, decidiu fazer o seu traslado mais curto: era o momento de descer o elevador do prédio da editora e seguir para um novo rumo profissional. Precisava produzir outros escritos.

Agora em 2012, sua mãe, Maria Inês, sentiu que era o momento de se deixar levar a um destino também. Tudo ao seu tempo, aguardou a adaptação de seus cuidados ao marido. Ao lado de sua mãe e irmãos, rumará à região de Castellabate, na Itália, onde estão suas raízes familiares. Silvia, claro, acompanhará a incursão pelo interior do país. Outros interiores serão visitados.

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