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Ego é uma coisa, identidade é outra

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Por mais que o interesse em histórias de vida tenha ultrapassado as fronteiras das figuras célebres, muitas pessoas acreditam que suas vidas não renderiam um livro por elas serem pessoas comuns, ou não terem alcançado um patamar, digamos, olimpiano.

Bom, primeiramente partimos do princípio de que não existem as tais “pessoas comuns”. Todos temos nossas singularidades formadas pelos nossos sonhos, ensejos, talentos, dificuldades, dúvidas e conquistas. Não importa se o indivíduo viveu como empresário, professor, artista ou dona de casa.

Para alguns, no entanto, parece que transformar sua vida em livro é um certificado de vaidade ou de autopromoção. Isso pode ser verdade – o livro pode ser usado para esse tipo de ferramenta, mas se não for feito com verdade e autenticidade, suas páginas não se sustentam (mas isso é assunto para um outro post…)

O que queremos tratar aqui é que existe um certo pudor, uma sensação da falta de merecimento em protagonizar uma história – mesmo que cada um seja de fato o protagonista de sua própria. Sendo assim, um empresário que superou suas dificuldades, um professor que tanto aprendeu e se dedicou a passar conhecimento aos alunos, um artista que elevou a alma de seu público, a dona de casa que contribuiu para formação de seus filhos… Todos têm livre acesso ao Monte Olimpo – um Olimpo humano, não repleto de deuses, mas onde vive gente de verdade, que sabe o quanto valeu a pena fazer o que foi feito.

Quando se trata de livros empresariais, essa insegurança acomete o líder (muitas vezes o próprio idealizador da empresa). Ele deseja contar sobre sua obra, mas vem com todo o cuidado de não se colocar em sua história, de não se expor, de não “aparecer demais”. Oras, produtos ou departamentos físicos não contam histórias! Quem conta é exatamente quem a construiu, são as pessoas, as mentes e almas repletas de vida e que proporcionam as engrenagens que movem o mundo. Como dissemos, a intenção não é de se construir a imagem do “invencível”, mas sim do ser humano por trás dos números e realizações.

Quando se trata de memórias familiares, há esse receio também, mas parece que as pessoas já enxergam este tipo de livro como um instrumento que será um meio de dialogar com as gerações seguintes, de forma a terem um contato mais próximo sobre suas origens. É uma maneira de resgatar traços de sua identidade acima de qualquer intenção egoica de se ter um livro sobre sua vida, pois ego é uma coisa, identidade é outra. Ego passa, identidade sobrevive. Ego é vaidade, identidade é lastro.

Sendo assim, seguimos com nosso lema de que cada um é herói de sua jornada e todo herói merece ter sua história contada.

A intenção de se ter suas memórias eternizadas já é um motivo mais do que suficiente para registrá-las.

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Categorias: história de vida, Nosso Ofício | Tags: , , , , , | Deixe um comentário

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