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Caçula

Por Regina Magalhães
É seu filho?

Ainda estranho a pergunta já feita mais de uma vez, mas devo reconhecer que ela não é de todo improcedente. Sorrio amarelo e respondo.
Quem vê o jovem alto e grande (leia-se um mix de forte e farto) com a barba cerrada e o franzir de sobrancelhas, o julga mais velho. Quando está sério, tem quase cara de mau. De gorro tricolor, então, que medo. E quando o celular toca evocando Don Corleone? E a luta marcial? Bobagem!  Não se iluda. No fundo, Rodrigo Casarin é um cara sensível, de coração maior que seu tamanho.
Aos 24 anos, reconhece na literatura um caminho para a  evolução humana por ser uma forma de conhecer as diversidades do mundo. Ao falar de Drummond, Dostoievski, Gay Talese, Jorge Amado,  ou qualquer talentoso escritor, ele o faz com intimidade e escreve em seu blog sobre tudo o que lê.
Outros quatro amores fazem parte da sua própria evolução: o time do São Paulo,  a arte de fazer cerveja, desbravar novos lugares e namorar a Bel. Então, é assim, ele rima letras e dribles; malte e gols, lúpulo e livros; Bel e destinos.
Na minha imaginação, quando ele “crescer” vai morar numa espaçosa biblioteca, com os mais variados e nobres títulos em diferentes línguas. Na cozinha, o espaço será dividido com fogareiros e panelas cervejeiras e por todas as paredes, imagens e símbolos das culturas e pessoas que conheceu ao redor do mundo, entre flâmulas do time…
Na multiplicidade humana, o singular carnívoro são paulino convive bem e harmoniosamente com vegetarianos e corintianos.  Para ele, diferenças são bem-vindas.
De raciocínio lógico e fala reta, vai direto ao ponto. Eu não. Eu olho, penso, sinto, sinto, penso e sinto mais um pouco e ele, se deixar, já foi e já voltou. Então, entre pulsos e impulsos, entre sua juventude bruta e o frescor da minha maturidade, formamos na escrita uma promissora dupla – tanto na autoria, quanto na edição. O desejo de contar histórias e contribuir com um legado na área literária da não-ficção nos une profundamente, é onde nossa essência se encontra. E ela se fortalecerá a cada história que ainda vamos contar.
Afinal, é seu filho?
Não, não é. Nós só nos conhecemos na Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL), em 2009.  Ele não meu filho, é o caçula da dona Leonor e do seu Edwaldo.
Meu, ele é sócio!
Sorrio orgulhosa.

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Literatura na avenida

Hoje começa o Carnaval, a festa mais popular do país, e duas escolas de samba – uma de São Paulo, outra do Rio – levarão um pouco de literatura para as passarelas em seus desfiles. A paulistana Mocidade Alegre desfilará com o enredo inspirado no livro Tenda dos Milagres, de Jorge Amado. Já a carioca Imperatriz Leopoldinense, que levará para avenida o enredo “Jorge, Amado Jorge”, contará a história de vida do escritor baiano – que em 2012 completaria 100 anos, por isso as homenagens – até a sua chegada no Rio.

Inspirações literárias vêm sendo comuns nos desfiles das escolas de samba. O próprio Jorge Amado já havia inspirado o enredo da Vai Vai em 1988: “Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira”. No ano passado, a Dragões da Real conquistou o título do Grupo de Acesso em São Paulo após um desfile inspirado nos contos infantis, como Branca de Neve e os sete anõesJoão e MariaAlice no país das maravilhasCinderela e Bela Adormecida. Em 2008, a Mancha Verde apresentou o enredo “És imortal! Ariano Suassuna: Sua Vida, Sua Obra, Patrimônio Cultural”, que homenageou o escritor paraibano.

Em 1989, a Unidos da Vila Maria entrou na avenida com o enredo “O Mundo Encantado de Monteiro Lobato”, sobre o escritor que também foi transformado em carnaval pela Pérola Negra, em 2002, cujo enredo foi “Monteiro Lobato, Da Fazenda Buquira (Taubaté-SP) Para o Mundo – Um Homem Além do Seu Tempo”. Também em 2002, o enredo da Águia de Ouro foi “Tupy or not tupy- Mario de Andrade”, uma lembrança ao escritor modernista. Já a Nenê de Vila Matilde levou para o Anhembi “Casa Grande e Senzala”, em 1956.

Claro que no carnaval carioca também temos muitos exemplos das letras invadindo o mundo do samba. Em 2010, por exemplo, o enredo da Acadêmicos do Salgueiro foi “Histórias sem Fim”, que contou a história da literatura. Na Marquês de Sapucaí também já foram homenageados Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Manoel Bandeira, Guimarães Rosa, Machado de Assis e João do Rio, dentre outras estrelas literárias, mostrando que a literatura e a cultura popular se combinam muito bem.

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Dia da gula

Por Regina Magalhães

Hoje é o dia da gula e esta data me faz lembrar de uma  entrevista para um livro. A filha contava que sua tática para espantar a tristeza era preparar a torta de palmito que sua mãe fazia quando ela era criança.

Todos nós temos um sabor que marca nossa história. Eu tenho um sabor que me remete ao amor: o bolo de chocolate que meu marido fez logo que nos conhecemos. Era meu aniversário e eu estava hospedada na casa dele, no Rio. Naquela tarde chuvosa, ele entrou na cozinha, sem dizer nada, e não saiu mais. Como mal nos conhecíamos, fiquei na minha.

Para minha surpresa, quase uma hora depois ele apareceu com um bolo de chocolate fresquinho, ou melhor, quentinho e fofinho, acompanhado de café. Provei e gamei.

Um livro sobre a gula

A gula está presente na vida de quase todos nós e, como não poderia ser diferente, também está na literatura. Uma obra sobre o tema é O clube dos anjos, do escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo. O livro integra a coleção Plenos Pecados, que traz um título para cada um dos sete pecados capitais.

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