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Natasha

Natasha (Dinho Ouro preto e Alvin L)

Tem 17 anos e fugiu de casa
Às sete horas na manhã no dia errado
Levou na bolsa umas mentiras pra contar
Deixou pra trás os pais e o namorado

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

Pelo caminho, garrafas e cigarros
Sem amanhã, por diversão, roubava carros
Era Ana Paula, agora é Natasha
Usa salto quinze e saia de borracha

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

O mundo vai acabar
E ela só quer dançar
O mundo vai acabar
E ela só quer dançar, dançar, dançar

Pneus de carros cantam
Thuru, Thuru, Thuru, Thuru…

Tem sete vidas mas ninguém sabe de nada
Carteira falsa com a idade adulterada
O vento sopra enquanto ela morde
Desaparece antes que alguém acorde

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

Cabelo verde, tatuagem no pescoço
Um rosto novo, um corpo feito pro pecado
A vida é bela, o paraíso é um comprimido
Qualquer balaco ilegal ou proibido

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

O mundo vai acabar
E ela só quer dançar
O mundo vai acabar
E ela só quer dançar, dançar, dançar

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Se te conheço, eu me reconheço

Por Silvia Noara Paladino

No café em que conversamos, próximo à Avenida Paulista, chamo a atenção de minha xará para o quadro logo acima de nossas poltronas. Ele revela uma foto em preto e branco, de uma calçada qualquer, por onde alguém deve transitar rotineiramente a caminho do trabalho, pensando na vida. Junto à imagem, uma frase em inglês. Na tradução: “Todos nós precisamos de um tempo para nós mesmos – apenas alguns minutos por dia, para nos familiarizar novamente com aquele que tem estado lá desde o início”. Ela gosta do que lê, e se lembra do que não deve se esquecer, mesmo nesses dias tão corridos.

O fato é que, mesmo que o tempo consiga fintá-la, Sylvia Beatrix pode olhar para si mesma através de Tiago, o filho de 14 anos. Não dá para saber se há mais dela gravado nele ou mais dele transmitido a ela, mas, quando de frente um para o outro, é como um espelho. Ambos escorpianos, teriam nascido, naturalmente, na mesma data, não fosse a opção da mãe pelo agendamento do parto cesariano e a decisão de não embolar as coisas. Ela nasceu em 15 de novembro; ele, um pouco antes, no dia 9.

Depois de uma temporada recente de dois anos e meio na casa do pai, o novo adolescente voltou a morar com Sylvia, na fase em que ela define como aquela de rejeição à figura da mãe. Por isso, não leva a sério qualquer bobagem que sai pela boca do filho. Após uma frase torta ou resistência que acaba em briga, logo inventam um lanche na cozinha para se reaproximarem. Afinal, ela o compreende mais do que ele mesmo pode entender sobre si próprio. São iguais, até nas diferenças que esculpem a individualidade tão particular de Tiago.

Se Tiago representa a tempestade, Camilla, por sua vez, é a calmaria. É assim desde que foi concebida. A gravidez e o parto da primeira filha foram tranquilos, bem como tudo o que veio depois. À noite, não acordava nem para mamar ou trocar a fralda. Pela manhã, quando entrava no quarto da bebê, lá estava ela, serena e despreocupada. A garotinha já contagiava a mãe com bom humor e paciência. E à Camilla, ela atribui a descoberta de um amor involuntário, sólido e perene.

Na sala de parto, a nova mamãe não teve tempo de perceber o que acabara de acontecer. Quando a enfermeira se aproximou com a bebê no colo, por alguns instantes, Sylvia reparou em apenas duas coisas: a boca no formato de coração, que Camilla tem até hoje, e as mãos, tão iguais às suas, com as unhas quadradas. Ela sabia que, com essas poucas pistas, seria capaz de reconhecer a filha imediatamente. Quando a pequena foi levada ao quarto e Sylvia a segurou nos braços, o mundo já não era mais o mesmo. Ela explica o sentimento que a tomou com um choro impulsivo, que bate com força no peito, e o bloqueio das palavras. E basta.

Não dá para revelar a Sylvia sem falar sobre os seus filhos. Não porque ela tenha a presunção de pertencê-los ou a visão limitada de que a vida se resuma a eles. Não. Ela se satisfaz com o papel de ser apenas o canal para que os filhos viessem ao mundo. Isso é o suficiente para justificar tudo o que faz para eles, pois o faz por si mesma. Os filhos são o seu veículo de evolução. E não tem essa de comercial de Margarina. A família funciona como o chão em que pisa, com todas as imperfeições e tropeços intrínsecos às relações humanas.

Espontânea e autêntica, Sylvia é a mãe que arrasta os filhos para espetáculos, shows, exposições. Custe o que custar, Camilla e Tiago terão cultura. Disso não abre mão. Também não adianta tentar convencê-la sobre a ditadura da beleza. Ela não vai tingir os cabelos. Quer permitir que os fios brancos e o tempo gravem as marcas que bem entenderem. Afinal, para que mudar o que a natureza decidiu? Ela fala com segurança, propriedade, e parece avaliar a todo o tempo se está sendo claro, se usou a palavra correta, se o discurso tem coerência e continuidade. Como um roteiro não planejado previamente, mas que se compõe fácil e bonito de se ouvir.

Como educadora de si mesma, dos filhos e de qualquer pessoa motivada a trocar experiência e conhecimento, ela respeita a palavra. A palavra e o indivíduo. Como voluntária, trabalha no Instituto Fazendo Minha História, que incentiva crianças moradoras de abrigos a contar e registrar o seu passado, para que se lembrem de onde vêm e que são protagonistas dessa história. Porque dividir a dor com alegria, sem julgamento, é humano. E o humano a encanta. Ela narra a vida real, e como narra bem! Aos 50 anos, Sylvia pensa em escrever um livro. A gente só fica aqui, torcendo.

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Gente

Gente (Caetano Veloso)

Gente olha pro céu
Gente quer saber o um
Gente é o lugar
De se perguntar o um
Das estrelas se perguntarem se tantas são
Cada estrela se espanta à própria explosão
Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar
De se respeitar o bom
Está certo dizer que estrelas
Estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu
Pra amar
Marina, Bethânia, Dolores,
Renata, Leilinha,
Suzana, Dedé
Gente viva, brilhando estrelas
Na noite
Gente quer comer
Gente que ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
Não, meu nego, não traia nunca
Essa força não
Essa força que mora em seu

Coração
Gente lavando roupa
Amassando pão
Gente pobre arrancando a vida
Com a mão
No coração da mata gente quer
Prosseguir
Quer durar, quer crescer,
Gente quer luzir
Rodrigo, Roberto, Caetano,
Moreno, Francisco,
Gilberto, João
Gente é pra brilhar,
Não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu
De anil
Gente, não entendo gente nada
Nos viu
Gente espelho de estrelas,
Reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas,
Só mesmo o amor
Maurício, Lucila, Gildásio,
Ivonete, Agripino,
Gracinha, Zezé
Gente espelho da vida,
Doce mistério

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Milton e Maria

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Que venham as festas de junho…

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É assim que começa um grande futuro

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Saiba

Porque a Biografias e Profecias é feita de gente.

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Gente humilde

Porque a Biografias e Profecias é feita de gente.

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