Dicas de leitura

Um ponto para nossa memória

Faz poucos anos, talvez uns dois, que voltei de recesso e tomei um susto ao passar pela Paulista e ver que um casarão tinha se reduzido ao pó. Perto dele, no mesmo quarteirão, numa esquina com a Alameda Santos, outro palacete tinha se tornado mais um terreno prestes à planagem que planifica a cidade cheia de espigões.

Enquanto damos adeus ao ano velho, outras memórias costumam ir embora, num lapso aproveitado pela especulação imobiliária. Casas caem na surdina, enquanto a fiscalização dorme ao lado das garrafas entornadas no Réveillon.

Dizer que o Brasil é um país sem memória faz todo sentido. Não só pela mágica amnésia política, mas também por não termos conhecimento do lugar em que habitamos. Além das casas não preservadas, ignoramos as histórias não registradas. A literatura de memória, tão praticada e lida em países como Estados Unidos, Inglaterra e França, pouco tem tradição por aqui.

carnaval1926

Carnaval na Av. Paulista, 1926.

É fato que os livros de memória partem de uma motivação autobiográfica, narrando as reminiscências da infância, as histórias que os velhos contavam, as relações entre pais e filhos, assim como os costumes e cenários de outrora. Isso tudo, por si só, já é motivo para grande interesse. As histórias de vida são uma ótima ferramenta para entendermos o passado do outro e identificar com o presente em que vivemos. As questões, as frustrações, as conquistas, a trajetória como um todo, são particularidades biográficas e, ao mesmo tempo, elementos universais.

No livro Escrevendo com a Alma, formado por uma coletânea de ensaios e crônicas que se dedicam a orientar o ato de escrever sobre o que te der na telha, inclusive as memórias pessoais, Natalie Goldberg logo aconselha para que os aspirantes à escrita se preocupem em escrever antes de pensar em mais nada, deixando de lado armadilhas do ego, principalmente as que tendem a bloquear a criação. A preocupação se aquilo é arte ou não pode vir num momento bem posterior; depois de muita prática, claro.

Talvez pelo medo de soar ridículo, de não saber “escrever como um escritor”, muitos se silenciam. Filhos deixam de encontrar diários dos avos e pais. Netos não alcançam mais a história dos bisavós e assim gerações se apagam com o passar de décadas.

Não sei daquele palacete da Avenida Paulista que, há dois anos, deixou de existir. Não imaginava que na década de 1920, na esquina da Alameda Santos com a Rua da Consolação, havia outra casa mais simples, com um jardim e paredes pintadas com gravuras e em cujo muro se apoiavam os moradores vendo os cortejos fúnebres passarem em direção ao Cemitério da Consolação. A Avenida Paulista, muito chique, não poderia ser palco para isso. Tampouco sabia que a Rua Caetano Pinto, no bairro do Bixiga, era temida devido aos seus moradores, a maioria deles vindos do sul da Itália e mal afamados por sua brigas e gritarias.

Anarquistas

Antes de começar a escrever seu primeiro livro, Anarquistas, graças a Deus, Zélia Gattai almejava apenas escrever um conto inspirado por uma passagem de sua infância. Ao ver o esboço de algumas páginas, Jorge Amado devolveu-lhe: esqueça o conto e escreva logo suas memórias. E assim sua esposa fez. O resultado, publicado originalmente em 1979, é um texto com as melhores cores de uma obra de memória. Com histórias contadas de maneira despretensiosa, sua linguagem se encontra com a espirituosidade e ingenuidade infantil da década da garota, ao passo que vemos um retrato de uma família italiana num Brasil que prometia a realização de sonhos para quem cruzava os mares e aportava por aqui.

Em meio ao ambiente e organização de uma casa de pais com convicções anarquista “ma non troppo”, Zélia escreveu seu retrato da São Paulo dos bondes, dos piqueniques no Parque da Luz, das movimentações da Revolução de 1932, dos carnavais, narrando a partir do cenário de imigrantes que lutam para se estabelecer dentro do desenvolvimento de um país que, para muitos deles, reservavam trabalhos semelhantes a de novos escravos. No caso dos Gattai, foi com a abertura de oficina para carros que Ernesto, o pai, empreendeu seu negócio num galpão da casa alugada, garantindo o sustento e conforto aos cinco filhos.

Entre a escassa bibliografia do gênero no Brasil, Anarquistas, graças a Deus é um exemplo do valor de se fazer esse tipo de registro. Entre tantas contribuições apontadas pelos estudiosos da memória, é a partir dele que recuperamos um passado desconhecido até a leitura. E como conclui Lilia Moritz Schwarcz no posfácio desta edição, narrativas como esta “descrevem um mundo que, apesar de perdido no tempo, continua guardado na memória, agora afetiva”, e que “eternas são as histórias que nasceram para não acabar”.

Feito isso, nem tratores são capazes de derrubá-las.

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Fragmentos da vida entre livros

Por Rodrigo Casarin

1. 

Sou são paulino e apaixonado por futebol. Antes do preço dos ingressos me afastar da arquibancada, ia praticamente toda semana ao Morumbi, e às vezes até viajava para torcer. Como também sempre gostei muito de ler, natural que tenha um enorme interesse por livros sobre futebol e torcidas.

Em uma conversa, descobri que precisava ler Entre os vândalos, de Bill Buford, jornalista que viveu como autêntico hooligan do Manchester United e depois transformou sua experiência em livro-reportagem. Torcedor eu já era, e havia decidido cursar jornalismo. Claro que fiquei empolgado. Queria a obra imediatamente, mas mal sabia o quanto demoraria para consegui-la.

Comecei a busca quando estava no primeiro ou segundo colegial. Frustrei-me, estava esgotado. Seria exagero dizer que visitei quase todos os sebos de São Paulo, mas com certeza entrei em todos pelos que passei em frente: ninguém tinha o maldito livro. De tempos em tempos, mandava e-mail para a Companhia das Letras. Minha esperança não era que republicassem Entre os vândalos apenas por minha causa, mas que achassem um mísero exemplar perdido na editora. Não rolou.

Foi no segundo ou terceiro ano da faculdade que descobri o Estante Virtual. Finalmente uma nova chance se abria. Pelo que tinham me dito, seria impossível não achar alguma obra no site. Mentira, já não achei algumas, mas felizmente três exemplares de Entre os vândalos estavam à venda. Comprei de um sebo em Bauru, era o que estava mais próximo de São Paulo. Virou o meu livro de estimação.

Alguns anos depois, finalmente a Companhia das Letras republicou a obra. Confesso que até hoje, sempre que esbarro com algum exemplar na livraria, tenho vontade de comprá-lo. É estranho vê-lo ali, fácil, à disposição.

2.

Estávamos reunidos em umas dez pessoas. Discutíamos particularidades e rumos de um dos livros que estou escrevendo. O lugar era uma mistura de sala de estar e biblioteca. Logo interrompemos o papo para almoçar.

Nosso anfitrião é um grande colecionador. Dentre suas coleções, a de livros é uma das proeminentes. Enquanto pessoas se serviam de quiches e copos de água, aproveitei para dar uma olhada nos exemplares que estavam enfileirados nas prateleiras. Pouca coisa me chamou a atenção.

Sentamos, almoçamos, falamos amenidades e partimos para o café e a sobremesa. Ficamos todos de pé, rodando pelo espaço. Voltei às prateleiras e, enfim, um volume realmente me atraiu. Aliás, não só a mim, mas aos que me acompanhavam também. Indiscutivelmente, tínhamos ali uma preciosidade que nos maravilhava. Logo o anfitrião puxou uma mesa embutida à estante, pegou o livro e cuidadosamente abriu para que nós o admirássemos. Não tinha nome, mas o importante era sua data: 1492.

Ao vê-lo, fiquei momentaneamente paralisado, mas poderia jamais ter outra chance de me relacionar com um Matusalém daqueles. Abdiquei da compostura que a reunião pedia. Só ver o livro não bastava. Toquei, peguei, acariciei e, finalmente, levantei o livro e meti o nariz o mais próximo possível das suas páginas — precisava saber quais cheiros trazia do século 15.

Não senti grandes coisas, mas ao menos não espirrei.

Saí de lá surpreso: como uma raridade daquelas estava ali, sem proteção alguma, à mercê de uma xícara de café voadora ou de uma colher que erre a boca e derrube pavê sobre suas centenárias páginas?

3. 

Sempre precisamos organizar minimamente nossos livros. Na parte de cima da minha estante ficam as obras, digamos, técnicas. Um pouco abaixo estão as de não-ficção. Já mais perto do chão, ficção, e, na mais baixa das prateleiras, livros sobre futebol — não o Entre os vândalos, que está em não-ficção —, música, livros que escrevi, enfim, um apanhado de tudo o que sobrou.

Dentro de cada uma dessas seções, eles são separados novamente de acordo com o seu gênero específico e dispostos conforme o sobrenome dos autores. Tudo isso na teoria, claro, pois na prática pouco funciona. Raramente um livro retirado da estante volta para o seu lugar de origem. Logo os espaços acabam e precisamos abrir concessões. Se não cabe mais nada na parte de biografias, é mais fácil deixar a vida de Borges provisoriamente perto de um Dostoiévski do que remanejar todas as obras até que ache algum espaço mais adequado.

Também há muitos livros que são difíceis de classificar. Onde colocar o último de David Foster Wallace (que precisei tirar da estante e já não voltará mais para o seu lugar)? Apesar da capa dizer que se trata de um livro de ensaios, a classificação não me convence. Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo é muito mais um apanhado de experiências jornalísticas de DFW. E Nu, de botas, do Antonio Prata? São memórias de sua infância, mas, pela forma e pelo autor, estou propenso a colocá-lo junto de obras ficcionais, não próximo de O ano do pensamento mágico. A plena e satisfatória organização de uma estante ou de uma biblioteca é uma utopia. Gosto de utopias.

4.

fantasmas_na_biblioteca_1364484163pNão costumo falar de mim em resenhas — se é que deste texto está saindo uma resenha —, deixo isso para quem sabe fazê-lo com maestria, como o Julián Ana (que, aliás, anda um tanto sumido aqui do Rascunho. Espero que volte logo.), mas é impossível ler Fantasmas na biblioteca — A arte de viver entre livros, do bibliófilo Jacques Bonnet, e não pensar nos momentos mais marcantes e na relação que tenho com os livros.

O livro é um ensaio — com certeza irá para esta seção — que traz diversas nuances da relação do seu autor com as obras que compõem sua vasta biblioteca. Fala da busca por exemplares raros, da estrutura requerida para abrigar tantos volumes, da necessidade de classificá-los, das formas de ler (aqui concordo plenamente com o autor, o ideal realmente é estar alongado, como se a posição permitisse ao texto descer melhor pelo corpo)… Em alguns momentos, Bonnet traz um humor sutil e uma ironia que me lembraram Vanessa Barbara — que, aliás, tem diversos textos também falando da sua relação com os livros.

Aparentemente, Fantasmas na biblioteca é despretensioso, e esse é um dos seus grandes méritos. Não é preciso ser um grande livro para ser uma obra preciosa, daquelas que se preocupam apenas com o prazer da leitura, justamente para aqueles que amam os livros. É sempre bom ver algo que amamos sendo tratado com o carinho que Bonnet aparenta tratar seus livros e as histórias que estão ao redor deles. É sempre bom quando algo nos faz lembrar vivamente das nossas próprias histórias.

Texto publicado originalmente na edição 164 do jornal literário Rascunho e no blog Canto dos Livros.

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Dicas de leitura da equipe BP

Fred Linardi – Anedotas do destino, de Karen Blixen

O livro de contos de Karen Blixen (conhecida também sob o pseudônimo de Isak Dinesen) é uma prova concreta de seu talento na arte de criar e narrar histórias. Entre a rica prosa dos contos de Anedotas do destino está “A festa de Babete”, que originou o filme homônimo. Apesar disso, as outras quatro narrativas não ficam nem um pouco para trás, conquistando a qualidade digna de clássicos.

 

Regina Magalhães – A via crucis do corpo, de Clarice Lispector

São contos que lemos em uma sentada só, ficções claramente inspirados em histórias verdadeiras (como a própria Clarice confessa no prefácio), histórias que tratam do nosso corpo, dos mistérios que carregamos dentro de nós, dos segredos, do erotismo.

 

 

Rodrigo Casarin – Castro, de Reinhard Kleist

Biografia em quadrinhos de Fidel Castro, uma das figuras mais importantes e controversas do século XX, o livro apresenta a trajetória do ex-líder cubano desde os planos para a tomada do poder da ilha. Kleist tem o mérito de, mesmo em uma HQ, conseguir representar toda a complexidade da história do grande revolucionário que se transforma em um lamentável ditador.

 

Sylvia Beatrix – Queijo, de Willem Elsschot

O tempo tem sido escasso para a maioria de nós. Será? Quais são as coisas que assumimos como sendo prioritárias mas na verdade são desculpas para deixarmos de fazer o que realmente importa?

Franz, um escriturário em um casamento infeliz é subitamente convidado a ser empresário comercializando queijo. Holanda, ao redor de 1800 e um assunto tão atual: procrastinação. O livro ainda tem apresentação do Marcelino Freire. Surpreenda-se!

 

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Dicas de leitura da equipe BP

Fred Linardi – O livro amarelo do terminal, de Vanessa Bárbara

A jornalista Vanessa Bárbara passou dias e noites no Terminal Rodoviário do Tietê conversando com dezenas de passageiros e funcionários, o que resultou neste trabalho extremamente original. O livro não é apenas de uma reportagem propriamente dita, mas um exemplo de como um cenário cotidiano pode ser retratado de forma dinâmica e envolvente. A escritora retrata o momento de diversas pessoas que por lá passam ou trabalham, interpretando o funcionamento deste mundo à parte sob seu olhar crítico e espirituoso.

 

Regina Magalhães – Uma duas, de Eliane Brum

Fala do relacionamento de mãe e filha e dos limites tão tênues de onde termina uma e começa a outra. Visceral, tem uma narrativa ritmada, intensa. Tão ficção, tão realidade…

 

 

 

Rodrigo Casarin – Honra teu pai, de Gay Talese

Publicado originalmente no Brasil como Honrados mafiosos (que, convenhamos, é um nome muito melhor), Honra teu pai foi relançado recentemente pela Companhia das Letras em sua coleção de Jornalismo Literário. A obra é uma das preciosidades produzidas por Gay Talese, que, para escrever o livro, passou cerca de sete anos realizando pesquisas, entrevistas e convivendo com mafiosos.

 

 

Sylvia Beatrix – Eu receberia as piores noticias de seus lindos lábios, de Marçal de Aquino

Esse livro é lindo, erótico e triste. Ao mesmo tempo, mostra a força do amor q que nem só de finais felizes hollywoodianos é feita a vida. Super recomendo.

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Dicas de leitura da equipe BP

Fred Linardi – Espelhos, de Eduardo Galeano

Um dos meus livros de cabeceira, em Espelhos o uruguaio Eduardo Galeano desfila todo o seu talento em mesclar estilos literários, como o conto, a crônica e o poema, com textos sempre repletos de referências históricas e reflexões sobre o ser humano e as relações da espécie com tudo o que a cerca – inclusive seus semelhantes.

 

Regina Magalhães – As boas mulheres da China, de Xinran

Apesar da qualidade do delicioso texto de Xinran, não é isso que se destaca nessa obra. As boas mulheres da China chama muita atenção por mostrar essa surpreendente China que se abre para o mundo, onde o moderno contrasta com costumes e hábitos antigos, que não podemos acreditar que ainda existam.

 

Rodrigo Casarin – O céu dos suicidas, de Ricardo Lísias

Um especialista em coleções chamado Ricardo Lísias que procura explicações para o suicídio de André, seu melhor amigo. Em um livro repleto de referências autobiográficas, em certos momentos o Ricardo protagonista parece refletir o Ricardo escritor, que passou por situação semelhante em sua própria vida. É um belo exemplo do que anda sendo feito de bom na literatura nacional contemporânea.

 

Sylvia Beatrix – A Costureira e o Cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles

Memórias pessoais, fatos históricos e duas irmãs como protagonista fizerem deste livro um dos mais encantadores que já li. Emília e Luzia têm características pessoais muito diferentes, fato este que traça o destino de cada uma delas. Pernambuco, cangaço e a era Vargas são o pano de fundo para este romance seja costurado por Frances de Pontes Peebles de maneira envolvente. Impossível deixar de se emocionar.

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Dicas de leitura da equipe BP

Estreamos hoje no blog uma nova seção, na qual integrantes da BP darão dicas de leituras. Confiram aí as primeiras:

Fred Linardi – Borges Oral e Sete Noites, de Jorge Luis Borges

Na obra, o leitor entra em contato com o universo intelectual do escritor argentino por meio de aulas proferidas em duas circunstâncias como conferencista em universidades. Versátil para falar sobre os diversos temas a que propõe, Borges se mostra um leitor que estuda os livros de sua biblioteca de forma diferente de um rancoroso crítico. Suas aulas – divididas em assunto como “o livro”, “a imortalidade”, “o conto policial”, “o budismo”, “a poesia”, “o tempo”, “a divina comédia” e “a cegueira”, dentre outros – são apoiadas na relação estreita com sua memória e em citações de filósofos e escritores que ajudaram o pensamento humano a refletir sobre esses conceitos. O leitor deste livro tem o privilégio de se sentar diante do mestre Borges que, já tomado pela cegueira, usa sua oralidade para que a audiência passe a enxergar tão bem quanto ele.

Regina Magalhães – Sagrada Família, do Zuenir Ventura

Zuenir fez todos rirem na FLIP ao dizer algo do genêro: “adoro família unida, mas tenho restrições à família reunida”. Há verdade maior que essa? Sagrada Família fala da perda da inocência de um garoto de nove anos, numa cidade do interior do Rio, durante a década de 40. Aparentemente, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. O livro traz personagens e cenários que a gente jura conhecer. O final traz o contrate da doçura e acidez da vida. Sou fã do trabalho do Zuenir e do seu olhar vibrante.

Rodrigo Casarin – O filho da mãe, de Bernanrdo Carvalho

O filho da mãe é uma das obras que integram a coleção Amores Expressos, da Companhia das Letras, que enviou 17 escritores brasileiros para diferentes países para que escrevessem histórias de amor. Bernardo Carvalho foi para a Rússia, São Petersburgo mais precisamente, e por lá ficou durante 30 dias.

O que permeia todo o livro é a guerra da Tchetchênia. As luzes estão voltadas para as pessoas que sofrem com ela – mais precisamente na relação entre as mães, os filhos e as mudanças que o conflito pode causar na vida de cada um. O livro traz histórias mais focadas nas crias – mas intensificadas pelos dramas das criadoras – e que parecem independentes, mas acabam se entrelaçando com o decorrer da trama.

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