Fiódor Dostoiévski

FiodorDostoievsky“Saiu com passo vacilante. A cabeça andava-lhe à volta. Mal se aguentava nas pernas. Começou a descer a escada, apoiando-se na parede. Pareceu-lhe que um porteiro que se dirigia à delegacia lhe dava um encontrão ao passar; que um cão ladrava embaixo no primeiro andar, danadamente, e que uma mulher lhe atirava um rolo de massa gritando para fazê-lo calar. Afinal, chegou ao andar térreo e saiu. Nisso viu Sônia não longe da porta, pálida como um defunto, olhando-o com ar de louca. Ele parou à sua frente. Uma expressão de sofrimento e terrível desespero pairava nas faces da moça. Ela levantou as mãos enquanto um sorriso muito parecido com um ricto lhe torceu os lábios. Raskólnikov esperou um instante, sorriu amargamente e tornou a subir à delegacia.

Iliá Petróvitch tinha-se sentado outra vez em seu lugar e folheava um montão de papéis. À sua frente estava o mujique que acabava de esbarrar em Raskólnikov.

– A-ah! É o senhor, outra vez! Esqueceu alguma coisa? Que tem?

Os lábios azulados, o olhar fixo, Raskólnikov aproximou-se vagarosamente de Iliá Petróvitch. Apoiou-se com as mãos na mesa onde estava sentado o tenente, quis falar, mas nenhuma palavra pôde proferir, soltando apenas sons inarticulados.”

Trecho do livro Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski.

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