No quintal dos meus avós

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Éramos seis netos brincando na casa dos avós paternos, cujo ambiente trazia ares machadiano. Os modos cerimoniosos e vocabulário rebuscado encenados na sala nos convidavam a brincar no quintal. O piso lá de fora era de concreto cinza e não foram poucas as vezes que meus dedões dos pés toparam contra a superfície áspera fazendo transbordar o vermelho escuro de dentro da pele que antecede a unha.

Bem atrás do muro do quintal havia as janelas da única delegacia da cidade. Não raro as frestas das vidraças se tornavam um sorriso aberto para que dentro delas tentássemos jogar os pequenos limões que caíam de um limoeiro beirando o muro. A adrenalina se elevava ao alto escalão da autoridade municipal. O que faríamos se um dia o delegado, ao invés de fazer uma limonada, tocasse a campainha e mandassem nos chamar?

Um portão conjugava o quintal com uma edícula da casa vizinha, onde morava um casal. A mulher ajudava minha avó nas funções da casa. O homem, não sei o que fazia além de frequentar os botecos da cidade. Quando ele voltava da rua, nossa diversão era afastada para longe. A mulher lhe dava broncas resignadas. Ele retrucava com agressividade assertiva, como o filho mimado, só que adulto.

Não me lembro o nome dela. O nome dele a gente achava engraçado. Foi a primeira vez que conheci alguém chamado Aristóteles.

Fred Linardi

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Lançamento: “Para nossas crianças”

Ainda no início do ano, fomos procurados para editar e concretizar um projeto cuja história já encantava por si.

Tratava-se de um original escrito por Anna Cândida Aranha Rodrigues de Andrade, uma verdadeira contadora de histórias. Suas narrativas eram sempre aguardadas pelas crianças da família, ávidas por ouvir novamente os episódios da infância que Tia Anna sempre trazia consigo. Um dia, atendendo aos pedidos e sugestões dos adultos, ela começou a escrever essas histórias para que ficassem registradas de forma que mais e mais crianças desta árvore genealógica que jamais termina pudessem conhecer no futuro.

Sábio conselho, sábia Tia Anna: ela realmente passou em palavras aquilo que até então havia contado apenas verbalmente. Em 2007, quando faleceu, ela havia garantido a perenidade daquele cenário que hoje se faz tão distante.

Mas ainda faltava o último passo: transformar o arquivo de texto num objeto livre e vivo: um livro! E assim se fez.

Com a Biografias & Profecias o texto foi lido, relido e editado de maneira leve e respeitosa para não lhe tirar a autoria. Recebeu uma diagramação de acordo com aquele tema – a infância na fazenda. Nosso projeto gráfico ganhou a colaboração essencial de dois sobrinhos-netos da Anna Cândida. Por fim, a ideia em mantê-los em preto e branco, pois, como o próprio nome do livro indica é “Para nossas crianças”. Dessa forma, as páginas convidam os lápis de cor para serem coloridas pelo seus atuais e futuros pequenos donos.

Sabemos que cada livro é único, mas ainda nos surpreendemos com o caminho que cada um deles nos mostra. E como sempre queremos assim, sempre trabalhamos para este encontro com o surpreende em todos os aspectos do caminho editorial.

Um brinde à Família Aranha e aos seus pequerruchos, futuros leitores!

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Lançamento – 60 anos da Padaria Santa Efigênia

O que mais poderia sair de uma padaria se não uma história deliciosa com jeito de pão fresquinho e café?

Antes de completar seus 60 anos de atividade, uma das mais tradicionais de São Paulo, a Padaria Santa Efigênia, nos chamou para contar essa história que une a evolução do próprio mercado panificador com o crescimento da Família Amorin, que ajudou a fundar e há décadas segue dirigindo esse negócio cheio de amor e dedicação.

A festa de lançamento foi motivo de alegria, reconhecimento e orgulho. Os livros brilharam como se estivessem saindo do forno. Aliás, embrulhados para presente em saquinhos de pão, prontos para serem devorados!

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A biografia e o desejo. A biografia e a responsabilidade. A biografia e o agora.

Quando a Biografias & Profecias nasceu, uma das suas propostas era que as pessoas conversassem em vida sobre suas histórias. Que um neto se interessasse pelo passado do seu avô quando este ainda estivesse vivo.

Recentemente, uma passagem me fez refletir como se, de repente, eu tivesse conversando comigo mesma sobre a minha biografia. Mesmo que não faça sentido para todos, arrisco a compartilhá-la por aqui.

Andava com o coração desencontrado, manhoso, pedindo umas coisas a Deus e, depois de uma reflexão profunda entre amigos, fui tomada por um clarão desconfortável nas ideias: há coisas que posso e devo pedir a Ele, há coisas que posso pedir a mentores ou a quem amo, mas há coisas que preciso pedir exclusivamente a mim. E só eu posso atender-me.

O que na minha história atrai a realidade que me encontro? Tantas sementes já frutificaram, tantas flores venho colhendo, mas ainda há mudas que não semeio, não rego, não podo e, claro, não colho. Por que recusar tais frutos? O que ganho e o quanto perco com isso? Do que sou merecedora?  Senti no âmago que merecimento vem da relação de entrega ao amor de Deus coladinho com o compromisso que sou capaz de assumir comigo para minha evolução como ser humano.

E aí aconteceu. Enquanto me paralisava nesse filosofar espiritual, mas também lamentoso e pidão, ao levantar os olhos, tive uma visão: uma senhora alta, esguia, de manto e capuz escuro se apresentava. Não dá para saber o dia, mas me vi frente a frente com ela e era sim a Morte. Trazia na mão… uma foice? Não! Trazia lápis, borracha, canetinhas, aquarela e papel.

Tomei um susto, mas não corri. Já a vi chegar em muitas histórias que acompanhei de perto. Olhei-a nos olhos e num fragmento de segundo, aprendi muito sobre a vida. Não é à toa que dizem que o bom morrer vem de um bom viver. Algo se transformou em mim.

Dei asas à imaginação e vislumbrei um novo encontro. Antes de mais nada, não há pressa. Nenhuma. Que fique bem claro. Mas quando chegar a hora, que eu possa receber bem essa dona, com seu papel e limites.

Não quero uma morte tomada ou invasiva, mas sim que ela se apresente num lindo diálogo. Juntas, eu e ela, vamos examinar, ponderar, rir e apontar o que fica e o que perdi a chance de realizar e nem chegou a ser. Que boas memórias mantenham meu nome sempre vivo por aí.

Que ela não me ameace e que eu não a desacate nem ofenda. Mas que em seu anúncio inevitável nós nos entrevistemos para seguirmos em parceria numa longa escrita, ilustração e edição. Quando o texto da vida estiver concluído, que ele tenha poesia. Entre fim e começo, ela me conduzirá a novos destinos, jardins, florestas e bibliotecas repletas de histórias familiares ou inéditas.

Neste além sem garantias, quero estar preparada para o que há de vir. Por onde começo? Assumindo responsabilidades frente ao que se apresenta e frente a mim. Quando? Agora, vivinha da silva. Agora e na hora de minha morte, amém!

Regina Rapacci

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Narrar sua história é gerar empatia

Nos deparamos com essa ótima entrevista concedida por Rodrigo Cogo à Rádio CBN e fizemos questão de compartilhá-la com nosso público. Ela reforça o conceito de que histórias podem apoiar diferentes processos nas empresas.

Relembramos muito das dezenas de experiências positivas que nossos clientes, colaboradores, amigos e familiares já tiveram ao longo do processo de construção de história que a Biografias & Profecias oferece desde 2006.

Desde quando passamos a atender as empresas, nos colocamos a encarar um novo aprendizado, com algumas diferenças em comparação às histórias familiares. Mas desde o começo seguimos uma premissa que reúne a realidade das famílias e das empresas: ambas são formadas por pessoas. Portanto, o valor que continua nos acompanhando é o da humanização.

Numa era em que todos falam muito e poucos têm tempo ou interesse para escutar, sabíamos que a maneira para chamar a atenção do nosso leitor seria contar a história de maneira atraente, respeitando o tempo que ele porventura reserva.

Rodrigo Cogo vai direto ao assunto ao apontar que hoje as empresas começam a resgatar as vidas que existem por trás de documentos e números. São pessoas repletas de emoções e, claro, memórias. E quando se junta esse arcabouço de histórias, temos um conjunto de narrativas com emoções da vida real e vozes autênticas. Rodrigo, que acaba de lançar um livro sobre o assunto, Storytelling – as narrativas da memória na estratégia da comunicação, ainda é enfático ao dizer que, além das boas repercussões internas, os desdobramentos ao público externo são também os mais variados.

Não é de hoje que o mercado (ou a humanidade) percebe a eficiência de se compartilhar as histórias reais da marca e das pessoas que trabalham ou convivem com ela de alguma maneira. Outro especialista no assunto, Adilson Xavier, apresenta logo no início do livro Storytelling – histórias que deixam marcas, o drama vivenciado por publicitários e outros comunicadores diante deste quadro atual em que a tecnologia passa a pedir mais afetividade; a opções de entretenimento se conflituam com o tempo possível das pessoas; o volume de informação briga com a capacidade de retenção; e a superficialidade gera uma sede por profundidade.

Diante dos processos que conduzimos (de livros a oficinas de histórias de vida) e os resultados (as histórias compartilhadas), podemos testemunhar o que vai além: o despertar da empatia ao assunto, às outras pessoas e, claro, à marca.

Se você é empresário – seja de pequena, média ou grande empresa – vale a pena ganhar 30 minutos do seu dia ouvindo o que Rodrigo Cogo diz sobre essa estratégia repleta de vida e empatia.

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Novos livros, novos sorrisos!

Embora com objetivos diferentes, nossos dois últimos livros compartilham muitas semelhanças. Além da quase coincidência entre os nomes dos protagonistas, a principal delas trata-se da motivação dos filhos em presentearem o pai com sua própria história.

O primeiro deles, Santinho de Ourinhos, conta a história de Santi Bugelli, que nasceu na zona rural, passou sua infância e juventude no interior de São Paulo até decidir tentar a vida na capital. Lá, encontrou trabalho e construiu sua família ao lado da esposa Lucilla. Este é um exemplo da biografia de um anônimo que protagonizou a própria vida. Nosso trabalho contemplou uma série de entrevistas com ele mesmo e uma roda de conversa com ele ao lado da Lucilla e dos filhos, que ajudaram a tecer essa narrativa. No seu aniversário de 90 anos, pôde celebrar ao lado da esposa, dos quatro filhos e dos parentes e amigos queridos, sua vida e o registro dela em palavras.

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Seu Santi Bugelli com a editora Regina Rapacci.

Já o segundo livro vem para celebrar a história de Santo Franzói, cuja motivação dos filhos era retratar a história do pai frente ao negócio – a Óptica e Relojoaria Pérola – que ele iniciou há 50 anos na cidade de Birigui e hoje continua sob seus cuidados e a direção desta nova geração. Este livro, no entanto, foi todo feito sem que ele soubesse (embora ele próprio tenha sido um dos entrevistados, sem saber ao certo do que se tratava). Conversamos também com sua esposa Laura, seus dois filhos e ouvimos depoimentos dos fornecedores, amigos e clientes de longa data. O livro foi anunciado e mostrado para Santo apenas no dia da comemoração entre os colaboradores das lojas.

Os sorrisos dos nossos queridos protagonistas já mostram a alegria de ter suas vidas eternizadas em livros!

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Santo Franzói confere a surpresa da festa: sua história e seu legado!

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Alegria e reconhecimento.

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A história que reúne gerações.

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Lançamento – Reminiscências

Um dos trabalhos que nos marcaram neste ano de 2016  foi o livro de comemoração ao centenário de Amélia Costalonga Varejão.

Este belo projeto familiar já havia sido iniciado há anos, escrito em forma de fragmentos de lembranças ditadas por Amélia e escritas por sua filha, Maris Stella. Com o tempo, as memórias foram complementadas por outros familiares, como um tecido de histórias.

Todas essas narrativas estavam transcritas em dois cadernos e os filhos de Amélia sentiam falta de uma formatação para esse registro. Hoje, quando a memória da protagonista já não alcança tantos detalhes, o registro está garantido. O livro, chamado Reminiscências, foi o grande símbolo da festa de aniversário de seus 100 anos de idade, na presença de netos e bisnetos. Além de conter todo esse registro por escrito, há fotos de Amélia e cada núcleo familiar de seus nove filhos.

Para deixar o trabalho ainda mais completo, fizemos uma segunda encadernação – esta de páginas em branco – com o nome Mensagens, especialmente para receberem as palavras dos convidados durante a festa (além dos novos capítulos dessa história a serem escritos a mão pelos filhos a partir de agora).

Fica aqui nossa gratidão à Amélia e família pelo privilégio de realizarmos mais este projeto!

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BP na Revista Vida Simples

Uma bela síntese do nosso trabalho feita pela Revista Vida Simples em 2011.

Revista Simples, setembro de 2011.

Revista Vida Simples, setembro de 2011.

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Voz do Clinte – Rosa da Luz

Rosa da Luz, sócia-fundadora da Luz & Oliveira Contadores, sediada em Joinville, compartilha sua experiência e a de seus colaboradores no processo de construção do livro que escrevemos celebrando 21 anos de história da empresa. “Como nós somos contadores, a gente percebeu o quanto podemos ser contadores de histórias.”

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Voz do cliente – Camillo Nader

Em 2008 produzimos uma Joia de Papel para o empresário Camillo Nader. Neste depoimento ele relembra um pouco sobre o processo e a importância deste trabalho em sua vida.

 

 

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